Câmara de Mogi repudia declaração de Bolsonaro sobre enfermeiros

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Os vereadores da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes aprovaram, na última terça-feira (20), por unanimidade, uma moção de repúdio (65/2019) a uma declaração do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), que teria desvalorizado a classe dos enfermeiros.

Durante entrevista à jornalista Leda Nagle, no último dia 5, Bolsonaro falou sobre o processo de revalidação do diploma médico, feita através do exame Revalida, criado em 2011. Segundo o presidente, a partir de agora, os médicos que não passarem no Revalida podem “arranjar outra profissão ou ficar como enfermeiro ganhando menos”.

A fala incomodou sobretudo o vereador Rodrigo Romão (PCdoB), que é formado em enfermagem e autor da moção de repúdio à declaração do presidente. Além de comparar os profissionais de enfermagem a uma subcategoria, ignorando as exigências legais para o exercício profissional da Enfermagem no Brasil, a fala demonstra a desvalorização de uma profissão reconhecida em todo o mundo como essencial para melhorar a cobertura e o acesso à saúde. Vinda do Presidente da República, é inaceitável”, disse Romão, no documento apresentado ao Plenário.

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O parlamentar ainda lembrou que a enfermagem e suas atividades auxiliares somente podem ser exercidas por pessoas legalmente habilitadas e inscritas no Conselho Regional de Enfermagem com jurisdição na área onde ocorre o exercício.

Posicionamento do Coren/SP

O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) também publicou, na última semana, uma nota de repúdio à declaração de Bolsonaro.

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“A fala demonstra uma visão ultrapassada e deturpada da atuação da enfermagem. Mais de dois milhões de profissionais brasileiros sofrem com a falta de valorização e de reconhecimento, tendo bandeiras como piso salarial, jornada de 30 horas semanais e local adequado para descanso ignoradas há anos pelos poderes legislativo e executivo. Além disso, visões preconceituosas e desprovidas de qualquer conhecimento sobre a prática ainda têm a enfermagem como auxiliar dos médicos”, diz a nota.

“O Coren-SP rechaça a fala do presidente, que inferioriza a enfermagem perante a medicina, lembrando que os profissionais de enfermagem representam a maior força de trabalho da saúde do Brasil, estando presentes em todas as fases da vida dos indivíduos, desde atuação em pré-natal até os cuidados paliativos”.

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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