Estudo feito em Mogi relaciona hanseníase ao consumo de carne de tatu

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Janeiro é o mês mundial de combate à hanseníase, doença difícil de ser diagnosticada. De acordo com a Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), menos de 50% dos casos são identificados por exames de laboratório. Por isto, tanto a SBH quanto o Ministério da Saúde indicam o exame clínico como a forma mais segura de identificação da doença.

Antigamente conhecida como lepra, a hanseníase é uma doença altamente transmissível. Nela, o bacilo Mycobacterium leprae causa lesões na pele e nos nervos periféricos de um indivíduo. A transmissão desse bacilo pode se dar pelo contato prolongado com pacientes infectados.

Outra forma de contrair hanseníase é consumindo carne de tatu. É o que indica um estudo feito em Mogi das Cruzes pelo professor de medicina Maurício Mota de Avelar Alchorne e pela doutorando Sílvia da Costa Carvalho Rodrigues, ambos da UMC (Universidade de Mogi das Cruzes).

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De acordo com a pesquisa, um grande número de hansenianos admite a possibilidade de que o uso da carne de tatu na sua alimentação possa ser meio de transmissão da hanseníase. Tentando esclarecer se esta crença é verdadeira, os autores entrevistaram 205 doentes dos quais 132 eram do sexo masculino e 73 do sexo feminino, indagando sobre o hábito alimentar com carne de tatu.

O estudo aponta que, dos 205 doentes entrevistados, 127 referiam o uso da carne; destes 127 doentes, 101 consumiram o alimento antes do início da doença, o que representa um total de 48,7%. Outros 26 doentes alegaram ter consumido quando já apresentavam manifestações clínicas da moléstia.

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Mais recentemente, uma pesquisa publicada na revista PLos Neglected Tropical Diseases identificou a presença da bactéria causadora da hanseníase em 62% dos tatus analisados no estado do Pará.

Janeiro roxo

A Prefeitura de Mogi das Cruzes vem promovendo, desde o início do mês, palestras em todas as unidades do Programa Saúde da Família (PSF). O objetivo é informar sobre sintomas, esclarecer dúvidas, promover visitas domiciliares e encaminhar possíveis casos para os tratamentos adequados.

De acordo com a administração municipal, atualmente, 20 pacientes realizam tratamento na UAPS 1. Em 2019 foram 54 durante todo o ano. No mesmo período, também foram realizados 152 exames de baciloscopia e 25 exames de biopsias.

Mogi das Cruzes concentra casos de hanseníase porque, na década de 30, foi implantado no Distrito de Jundiapeba, onde hoje funciona o Hospital Dr. Arnaldo Pezzutti Cavalcanti, o antigo Asilo Colônia Santo Ângelo. Lá, os portadores de hanseníase viviam isolados e, embora a hanseníase não seja uma doença hereditária, ela é transmitida pelo ar através do contato prolongado com uma pessoa contaminada. Atualmente, não existe necessidade de isolamento porque, iniciado o tratamento, a transmissão não ocorre mais.

Os principais sintomas da doença são manchas claras, róseas ou avermelhadas no corpo, geralmente com diminuição ou ausência de sensibilidade ou calor, frio ou tato. Também podem ocorrer caroços na pele, dormência, diminuição de força e inchaços nas mãos e nos pés, formigamentos ou sensação de choque nos braços e pernas, entupimento nasal e problemas nos olhos.

Foto: Thomas Helbig/Creative Commons

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Publicado por
Leandro Cesaroni
Tudo sobre: UMC

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