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POLÍCIA

Operação contra esquema de estelionato digital cumpre mandados no Alto Tietê

A Operação Fim da Fábula, deflagrada nesta terça-feira (24), cumpre mandados judiciais em cidades do Alto Tietê, incluindo Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes. A ação tem como alvo uma associação criminosa suspeita de aplicar golpes digitais em larga escala.

Até o momento, 12 pessoas foram presas. Ao todo, estão sendo cumpridos 120 mandados de busca e apreensão e 53 de prisão temporária nos estados de São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. Todas as prisões registradas até agora ocorreram em território paulista.

Segundo o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, apesar de os golpes investigados — como o do INSS, o do falso advogado e o da chamada “mão fantasma” — já serem conhecidos, o que chamou a atenção das autoridades foi o nível de organização da quadrilha e o uso intensivo de tecnologia.

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De acordo com as investigações, após obterem os valores das vítimas, os suspeitos utilizavam plataformas de apostas on-line e fintechs para lavar o dinheiro e dificultar o rastreamento.

Investigação e estrutura da organização

A operação é resultado de trabalho conjunto da Polícia Civil e do Ministério Público (MP-SP). As apurações começaram pela identificação dos núcleos estratégicos e decisórios da organização criminosa, responsáveis por coordenar as ações. Em seguida, foram mapeados os executores dos golpes, operadores financeiros e integrantes encarregados da ocultação patrimonial.

Para o subprocurador-geral de Justiça Criminal do Ministério Público, Ivan Francisco Pereira Agostinho, a integração entre os órgãos é fundamental para combater esse tipo de crime. “A união de esforços é o único caminho para asfixiar o capital dessas organizações e combatê-las de forma efetiva”, afirmou.

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Lavagem em camadas e bloqueio de contas

Conforme o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o grupo utilizava o modelo conhecido como “lavagem em camadas”, com sucessivas transferências de recursos entre familiares, empresas de fachada e contas de terceiros.

O diretor do Deic, Ronaldo Sayeg, explicou que a estratégia adotada pelos investigadores foi “seguir o dinheiro” para identificar toda a engrenagem criminosa.

O Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp) identificou ao menos 36 imóveis ligados aos investigados, inclusive registrados em nome de terceiros, além de centenas de veículos, embarcações, joias e valores em espécie. Parte dos bens foi apreendida durante a operação.

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As medidas foram autorizadas pela 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital paulista. Segundo os investigadores, o bloqueio judicial pode alcançar cifras bilionárias, dependendo do saldo existente nas 86 contas alvo da decisão.

Mandados no Alto Tietê

No Alto Tietê, os mandados são cumpridos em Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes, além de outras cidades paulistas. A ofensiva mobiliza cerca de 400 policiais civis e promotores, com apoio de departamentos da Polícia Civil de São Paulo e das polícias civis de Minas Gerais e do Distrito Federal.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos e consolidar as medidas de recuperação de ativos.

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Leandro Cesaroni

Por Leandro Cesaroni

Jornalista graduado pela FIAM e pós-graduado em jornalismo cultural pela FAAP