Com a taxa Selic em patamar elevado, cresce o interesse dos brasileiros por opções de crédito mais acessíveis e sustentáveis. Dados da Creditas, fintech especializada em crédito com garantia na América Latina, apontam um aumento de 45,1% na procura por empréstimo com garantia de imóvel (home equity) e de 33,6% na modalidade com garantia de veículo (auto equity) em 2025, refletindo a busca por alternativas com juros mais baixos e prazos mais longos.
Entre as principais modalidades disponíveis no mercado, o empréstimo com garantia é considerado uma das opções mais vantajosas em termos de custo. Nessa modalidade, o consumidor oferece um bem — como imóvel ou veículo — como garantia, o que reduz o risco da operação e permite taxas menores. Na Creditas, por exemplo, o empréstimo com garantia de veículo tem taxas a partir de 1,49% ao mês, aceitando carros de passeio com até 17 anos de fabricação. Já o empréstimo com garantia de imóvel apresenta taxas a partir de 1,09% + IPCA ao mês, com prazos de até 240 meses e possibilidade de iniciar o pagamento em até 90 dias.
Outra alternativa é o empréstimo consignado, destinado a aposentados e pensionistas do INSS, trabalhadores CLT, servidores públicos e integrantes das forças armadas. As parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento, o que reduz o risco de inadimplência e possibilita taxas mais baixas. O consignado privado da Creditas, por exemplo, oferece taxas a partir de 1,49% ao mês e é indicado para quem busca previsibilidade e controle financeiro.
O empréstimo pessoal, oferecido por bancos e fintechs, costuma ter taxas mais elevadas, que variam conforme o perfil do cliente. Segundo o Banco Central, os juros podem ultrapassar 20% ao mês. Essa modalidade é mais indicada para emergências ou para substituir dívidas com custos ainda maiores.
Já a antecipação de salário permite ao trabalhador acessar parte do rendimento antes da data oficial de pagamento, geralmente sem cobrança de juros. Embora possa ser útil para pequenas emergências, especialistas alertam para o risco de transformar esse recurso em um hábito recorrente.
Entre as opções mais caras estão o cheque especial e o crédito rotativo do cartão de crédito. O cheque especial pode ter taxas de até 8% ao mês e deve ser usado apenas em situações extremas e por curtos períodos. O crédito rotativo, acionado quando o cliente paga apenas o valor mínimo da fatura, pode alcançar juros de até 400% ao ano, sendo recomendado apenas em emergências e com quitação rápida. O cartão de crédito, apesar da praticidade, também é uma forma de empréstimo e pode se tornar um fator de endividamento caso a fatura não seja paga integralmente, com taxas que podem chegar a 15% ao mês ou mais.
Como escolher a melhor opção
De acordo com Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas, a escolha do melhor empréstimo deve considerar tanto o objetivo do crédito quanto o perfil financeiro do consumidor. Ele recomenda que o valor da parcela não ultrapasse 30% da renda familiar, como forma de preservar o equilíbrio do orçamento.
O especialista também destaca a importância de verificar se a instituição credora é regulamentada pelo Banco Central e possui boa reputação entre os clientes. Além disso, o cenário econômico deve ser levado em conta no momento da decisão.
“Em cenários de Selic alta, por exemplo, o crédito com garantia se destaca porque oferece taxas mais baixas e prazos mais longos, o que reduz o impacto das parcelas no orçamento. A modalidade é uma forma inteligente de usar bens como ativos que abrem novas oportunidades, seja para reorganizar as finanças, quitar dívidas caras ou investir em projetos de vida”, afirma Casagrande.
Antes de contratar qualquer tipo de crédito, especialistas recomendam comparar taxas, prazos e condições, além de avaliar se o empréstimo é realmente necessário e sustentável no longo prazo.