Indígenas da Aldeia Tekoa M’Boiji, em Mogi das Cruzes, utilizaram transporte requisitado pela Justiça Eleitoral para votar no segundo turno das Eleições 2026, realizado neste domingo (25). Cerca de 20 eleitores foram levados da comunidade até o Centro Municipal de Programas Educacionais Profª Lourdes Lopes Romeiro Ianuzzi, onde funcionou o local de votação.
A iniciativa foi viabilizada após um pedido de transferência temporária de eleitores e teve como objetivo facilitar o deslocamento dos moradores até a seção eleitoral. O transporte foi oferecido pela primeira vez no primeiro turno deste ano e voltou a ser disponibilizado neste domingo.
A aldeia é formada por cerca de 50 pessoas, distribuídas em 19 famílias. Segundo o vice-cacique Vítor Wera Tupã, a comunidade tem como principal etnia a Tupinambá e também abriga indígenas dos povos Pataxó, Kaingang e Terena.
Antes de seguirem para a votação, os moradores se reuniram na Casa de Rezo, conhecida como Opy. Na ocasião, o cacique e pajé Anga Morere Koara fez uma prece aos integrantes da comunidade.
“Todas as vezes que a gente vai fazer, participar de algum evento, de alguma coisa importante, eu abençoo todas as pessoas que estão indo, para que tudo dê certo”, afirmou o líder indígena.
Ele também destacou a importância do transporte para garantir a participação dos moradores no processo eleitoral. “É essencial porque, assim como noutras comunidades indígenas, nesse momento, não temos transporte. Isso é muito importante para nós”, declarou.

Transporte para comunidades indígenas
De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), 17 comunidades indígenas no estado foram contempladas com transporte gratuito nos dias de votação do primeiro e do segundo turno das Eleições 2026.
Em Mogi das Cruzes, a ação foi intermediada pela 287ª Zona Eleitoral. Segundo o tribunal, o fornecimento de transporte para eleitores que vivem em áreas remotas é acompanhado desde 2018, por meio de pesquisas realizadas junto aos cartórios eleitorais.
A logística para atender comunidades indígenas é organizada em conjunto com órgãos públicos e as próprias comunidades, priorizando o transporte público regular ou a criação de linhas especiais. Quando essas alternativas não estão disponíveis, a Justiça Eleitoral pode requisitar veículos e embarcações de órgãos públicos federais, estaduais ou municipais.
Segundo Vítor Wera Tupã, antes da transferência temporária, os moradores votavam em locais diferentes, em alguns casos situados em outros municípios. A mudança facilitou o deslocamento dos eleitores e o exercício do direito ao voto.

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