O Ministério das Cidades confirmou que as faixas de renda do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) serão atualizadas no início de 2026. O anúncio foi feito pelo ministro Jader Filho durante café da manhã com jornalistas nesta segunda-feira (8). A principal mudança deve ocorrer na Faixa 1, que hoje atende famílias com renda mensal de até R$ 2.850.
Segundo Jader, o limite será elevado para contemplar famílias que ganham aproximadamente dois salários mínimos, o equivalente a cerca de R$ 3.200 com a projeção do salário mínimo para 2026. A atualização, explicou o ministro, acompanha a evolução do mercado de trabalho e busca ajustar o programa à realidade de famílias que, mesmo com renda um pouco maior, não conseguem acessar financiamentos habitacionais no sistema tradicional.
A mudança é considerada estratégica pelo governo para ampliar o alcance do Minha Casa Minha Vida. Atualmente, uma em cada três contratações é direcionada justamente à Faixa 1, que concentra o maior volume de subsídios.
A correção das faixas de renda é uma demanda antiga do setor da construção civil. Com o aumento do salário mínimo e da renda média ao longo dos últimos anos, muitas famílias deixam de se enquadrar nos limites do programa mesmo sem terem condições de assumir financiamentos de mercado.
Ao elevar o teto da Faixa 1, o governo deve permitir que mais brasileiros acessem subsídios maiores, ampliando as chances de compra da casa própria. A atualização também pode resultar em redistribuição de beneficiários entre as faixas 1, 2 e 3, ajustando os valores de financiamento e participação dos recursos públicos.
Expansão do programa e recursos garantidos
O ministro reforçou que não faltarão recursos para o Minha Casa, Minha Vida. Para 2026, estão previstos R$ 144,5 bilhões do FGTS, sendo R$ 125 bilhões destinados à habitação popular. Há ainda R$ 5,5 bilhões do Orçamento para subsidiar a Faixa 1 urbana e R$ 17 bilhões da Caixa Econômica Federal para complementar os subsídios.
O governo pretende chegar ao fim de 2026 com 3 milhões de unidades financiadas desde o início da gestão Lula. Só em novembro deste ano, foram 80 mil novas contratações, acima da média de 60 mil registrada até outubro.
Impacto no mercado
Jader ressaltou que o Minha Casa Minha Vida tem impulsionado o setor da construção civil, apontado como um dos motores da economia. Somente no estado de São Paulo, 67% dos lançamentos imobiliários estão vinculados ao programa.
Além das faixas de renda mais baixas, o governo também quer ampliar a oferta de moradias para a classe média, com meta de aumentar as contratações do segmento de 6 mil para 10 mil unidades até 2026.