A Prefeitura de Mogi das Cruzes iniciou, nesta sexta-feira (9), as primeiras ações do Comitê de Crise Hídrica e Monitoramento de Eventos Climáticos, criado nesta semana para enfrentar os impactos das temperaturas extremas e da escassez de água no município. As medidas incluem a distribuição de água em locais de grande circulação, com atenção especial às pessoas em situação de vulnerabilidade e aos pets, além do atendimento do Consultório na Rua.
De acordo com a administração municipal, as ações serão acionadas sempre que a temperatura atingir 32°C ou quando a sensação térmica ultrapassar 35°C.
No período da tarde, a prefeita de Mogi das Cruzes, Mara Bertaiolli, e o vice-prefeito, Téo Cusatis, acompanharam o trabalho no Largo do Rosário, onde foi realizado o lançamento oficial da iniciativa.
Além do Largo do Rosário, a distribuição de água ocorreu no Parque Botyra, na Praça Prefeito Francisco Ribeiro Nogueira (Largo 1º de Setembro), no Terminal Central, na Praça Francisco Urbano, em Braz Cubas, e na Praça Veteranos de Guerra, em Jundiapeba. Em cada ponto, a ação permaneceu por um intervalo que variou de 40 minutos a uma hora. A iniciativa envolve o Semae e as secretarias municipais de Assistência Social e de Meio Ambiente e Proteção Animal.
O atendimento do Consultório na Rua, coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar, também integra as ações do comitê, oferecendo serviços como aferição de pressão arterial e de glicemia à população atendida.
Participaram do lançamento o diretor-geral do Semae de Mogi das Cruzes, José Luiz Furtado, os secretários municipais Daniela Mariano (Assistência Social), Luiz Bot (adjunto de Saúde e Bem-Estar), Patricia Cesare (Meio Ambiente e Proteção Animal) e Gilberto Ito (Segurança), além do chefe de gabinete do vice-prefeito, Eli Nepomuceno.
Comitê de Crise Hídrica
O Comitê de Crise Hídrica e Mapeamento das Mudanças Climáticas foi criado com o objetivo de mapear dados, promover parcerias e adotar medidas voltadas à economia e ao consumo racional da água, além de minimizar os efeitos das temperaturas extremas e da crise hídrica. O grupo também atua no enfrentamento emergencial da escassez de chuvas que afeta as represas da Região Metropolitana de São Paulo, incluindo o Sistema Produtor Alto Tietê (Spat).
Segundo monitoramento da Sabesp, nesta sexta-feira (09/01/2026), o Spat opera com apenas 21,5% de sua capacidade, índice bem inferior ao registrado há um ano, quando estava em 40,6%. Trata-se do menor volume desde a crise hídrica de 2014-2015.
“Estamos agindo com responsabilidade, planejamento e transparência para enfrentar um cenário desafiador, que exige união de esforços e decisões firmes. A criação do Comitê de Crise Hídrica nos permite monitorar a situação, integrar ações e proteger a população de Mogi diante dos possíveis impactos das mudanças climáticas e da escassez de água”, destacou a prefeita Mara Bertaiolli.
Entre as medidas já adotadas está a meta de redução de 30% no consumo de água nos cerca de 600 prédios públicos municipais, além de campanhas de conscientização para estimular o uso racional dos recursos hídricos pela população.
“É preocupante a diminuição do volume útil de água no Sistema Alto Tietê, que passou 40% há um ano para metade, em torno de 21%, agora no início de 2026. Por isso, decidimos de forma conjunta entre Semae, Defesa Civil e secretarias municipais, monitorar constantemente a situação e concentrar ações em diversas áreas para reduzir os impactos causados pela escassez de água”, afirma Téo Cusatis.
O comitê é formado por representantes do Gabinete da Prefeita, Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil, Fundo Social, Semae e diversas secretarias municipais, e é presidido pelo chefe de gabinete do vice-prefeito, Eli Nepomuceno.
Redução da pressão na rede
Como parte das ações de enfrentamento da crise hídrica, a Sabesp iniciou, em dezembro, a redução da pressão na distribuição de água nas áreas de Mogi das Cruzes abastecidas pela companhia. A proposta inicial previa a redução diária das 19h às 5h, mas, após solicitação do Semae, foi adotada uma alternativa para não comprometer o abastecimento no município.
Com isso, a pressão passou a funcionar da seguinte forma: das 8h às 20h, de 41 para 40 mca; das 20h às 23h, de 41 para 35 mca; das 23h às 7h, de alternância entre 31 e 41 mca para 30 mca; e das 7h às 8h, de 41 para 35 mca. A medida permite economia de água sem prejuízo aos moradores.
Atualmente, 59% da água que abastece Mogi das Cruzes é produzida pelo Semae, enquanto 41% são adquiridos da Sabesp e distribuídos a partir do reservatório do Jardim Santa Tereza, em Braz Cubas.
O Semae também intensificou ações como geofonamento para detecção de vazamentos não visíveis, manutenção contínua da rede e preparação para a contratação de caminhões-pipa para reforços pontuais no abastecimento.
“Estamos atuando de forma preventiva e técnica para minimizar os impactos da escassez hídrica, mas é fundamental que toda a população colabore com o uso consciente da água. Cada atitude faz diferença neste momento”, ressalta o diretor-geral da autarquia, José Luiz Furtado.
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