Após cerca de 45 anos de funcionamento e aproximadamente 200 mil nascimentos, a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes encerra, em 31 de agosto, as atividades relacionadas à maternidade. A transferência dos serviços para a Maternidade e Hospital da Mulher e da Criança Leila Caran Costa, em Braz Cubas, marca uma nova etapa para a instituição.
A partir da mudança, deixam de funcionar na Santa Casa a Maternidade, o Centro Obstétrico, o Pronto-Socorro Obstétrico, o Berçário, a UTI Neonatal e os demais serviços relacionados ao pré-parto, parto e pós-parto. O novo equipamento municipal fica na rua Francisco Affonso de Melo, 550.
Segundo a Santa Casa, nos últimos anos eram realizados, em média, 350 partos por mês, sendo mais de 85% pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O complexo materno-infantil chegou a contar com 55 leitos de enfermaria e 26 leitos de UTI Neonatal.
A assistência às gestantes na instituição teve início ainda na década de 1970. Ao longo das décadas, a estrutura foi ampliada e a Santa Casa se consolidou como referência regional em Obstetrícia de Alto Risco e Neonatologia, atendendo pacientes de Mogi das Cruzes e de outras cidades do Alto Tietê.
“Quase a totalidade das famílias mogianas tem alguma relação com a maternidade da Santa Casa, que guarda uma importância histórica para Mogi e toda Região do Alto Tietê”, afirmou o médico ginecologista e obstetra Gilberto Lozano, coordenador da Maternidade.
Entre os nascimentos ocorridos na unidade está o do jogador Neymar Jr., em 5 de fevereiro de 1992. O parto foi realizado pelo ginecologista e obstetra Luiz Carlos Bacci.
Atendimento neonatal
A Santa Casa também destaca casos de recém-nascidos prematuros atendidos pela UTI Neonatal ao longo dos anos. Segundo a instituição, o menor bebê registrado nasceu com 440 gramas e chegou a pesar 380 gramas durante a internação, em razão de complicações. Posteriormente, recebeu alta hospitalar com 2,5 quilos.
Outro caso citado é o de uma bebê de 1,64 quilo que nasceu com gastrosquise, uma malformação congênita caracterizada pela abertura da parede abdominal, com exteriorização de órgãos. O tratamento foi realizado por uma equipe multiprofissional coordenada pelo cirurgião pediátrico e urologista pediátrico Kleber Sayeg.
Transferência dos serviços
O processo de transferência para a nova maternidade municipal teve início em março e será concluído em 31 de agosto. De acordo com a Santa Casa, a transição foi acompanhada por uma comissão técnica formada por profissionais da Secretaria Municipal de Saúde, representantes da instituição e do Instituto Social Hospital Alemão Oswaldo Cruz, responsável pela gestão do novo equipamento.
A instituição informou que aproximadamente 250 profissionais estavam envolvidos nas atividades relacionadas à assistência materno-infantil no momento da transferência.
A provedora da Santa Casa, Miriam Nogueira do Valle, afirmou que a instituição é grata aos profissionais e pacientes que fizeram parte da trajetória da maternidade. “Imensa gratidão é o sentimento que define a Santa Casa de Mogi diante do encerramento desse grandioso ciclo. Agradecemos demais a cada um que passou por aqui! Profissional ou paciente, trabalho e confiança, todos deixaram um pouco de si na maternidade”, declarou.
Santa Casa terá foco em outras especialidades
Com a transferência dos serviços materno-infantis, a Santa Casa de Mogi das Cruzes informou que pretende ampliar os atendimentos em especialidades como Ortopedia, Oftalmologia, Neurologia, Urologia, Vascular, Cardiologia, Cirurgias Gerais e Hemodinâmica.
A instituição também manterá as demais atividades do Pronto-Socorro 24 horas. Segundo a Santa Casa, a mudança representa uma reorganização de sua estrutura assistencial, sem encerramento das atividades gerais do hospital.
A transferência ocorre no período em que Mogi das Cruzes completa 466 anos e encerra um ciclo de aproximadamente quatro décadas e meia de assistência materno-infantil na instituição.
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