Apesar de uma leve retração no mês de outubro de 2026, o crédito para pessoa física no Brasil continua exigindo cautela rigorosa dos consumidores. De acordo com a pesquisa divulgada pela Fundação Procon-SP, a taxa média de juros do empréstimo pessoal recuou 0,11 ponto percentual, passando de 8,66% para 8,55% ao mês.
Mesmo com o recuo mensal, o acumulado anual impressiona e assusta o orçamento: a taxa equivalente chega a 167,69% ao ano.
Já no caso do cheque especial, a taxa média permaneceu estagnada em 8% ao mês (o equivalente a 151,82% ao ano) em todas as seis instituições financeiras avaliadas. O teto nessa modalidade continua limitado pela Resolução nº 4.765 do Banco Central.
O impacto da Selic e o alerta do Procon-SP
A pesquisa do Procon-SP destaca que, embora o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha ajustado a taxa Selic para 13,75% ao ano, os juros cobrados pelas instituições financeiras nas linhas de crédito voltadas ao consumidor final permanecem em patamares elevados.
Diante desse cenário, a recomendação dos especialistas em defesa do consumidor é clara: evitar a contratação de novas dívidas sempre que possível. Caso o crédito seja estritamente necessário, é fundamental avaliar o impacto real das parcelas no orçamento doméstico, lembrando que uma taxa que parece pequena à primeira vista pode comprometer gravemente as finanças ao longo dos meses.
Ranking dos Bancos: quem cobra mais e quem cobra menos no empréstimo Pessoal?
O levantamento do Procon-SP — que considerou as taxas máximas pré-fixadas para clientes pessoa física não preferenciais em 2 de outubro de 2026 — revelou uma disparidade expressiva entre os bancos analisados (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, Safra e Santander).
Enquanto alguns bancos reduziram suas taxas de forma acentuada, outros registraram altas expressivas:
- Menor taxa (Empréstimo Pessoal): O Banco do Brasil registrou a maior queda do período, indo de 7,43% para 5,86% ao mês (uma variação de -21,13%).
- Maior taxa (Empréstimo Pessoal): O Bradesco apresentou a maior alta, elevando sua taxa de 9,79% para 10,72% ao mês (uma variação positiva de 9,50%).
Tabela Completa: Taxas Praticadas em Outubro de 2026
| Instituição Financeira | Empréstimo Pessoal (ao mês) | Cheque Especial (ao mês) |
| Banco do Brasil | 5,86% | 8,00% |
| Safra | 7,25% | 8,00% |
| Caixa Econômica Federal | 8,00% | 8,00% |
| Itaú | 9,49% | 8,00% |
| Santander | 9,99% | 8,00% |
| Bradesco | 10,72% | 8,00% |
Nota: Os dados consideram contratos de empréstimo pessoal com prazo de 12 meses e o período de 30 dias para o cheque especial.
Orientações Práticas: Como não cair na armadilha do endividamento
Se você está considerando recorrer a um empréstimo, siga estas recomendações essenciais indicadas pelo Procon-SP antes de assinar qualquer contrato:
- Faça um raio-x do orçamento: Mapeie todas as suas despesas fixas e variáveis. Saiba exatamente quanto sobra mensalmente antes de assumir uma nova obrigação financeira.
- Pesquise e compare: Como visto na pesquisa, a diferença entre a menor taxa (5,86% no Banco do Brasil) e a maior (10,72% no Bradesco) é gigantesca. Nunca aceite a primeira proposta.
- Olhe além da parcela: Não analise a proposta focando apenas no valor que vai caber (ou não) no mês. Verifique sempre o Custo Efectivo Total (CET) e a taxa de juros anual equivalente.
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