A Vigilância Sanitária de Suzano interditou quatro comunidades terapêuticas e uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) durante uma operação realizada nesta quarta-feira (28), no distrito de Palmeiras. A ação identificou irregularidades sanitárias e estruturais nos cinco estabelecimentos, além de resultar na prisão de dois homens suspeitos de tortura contra pessoas acolhidas em uma das instituições.
A fiscalização foi realizada em conjunto com a Guarda Civil Municipal (GCM) e a Polícia Civil, por meio do 1º Distrito Policial. Ao todo, os locais abrigavam 170 pessoas nas comunidades terapêuticas e outras dez na instituição para idosos.
Durante a operação, foram apreendidos aproximadamente 10 mil comprimidos, dos quais 3,3 mil eram de uso controlado, além de cerca de 300 quilos de alimentos considerados impróprios para consumo ou fora dos padrões de qualidade.
Também foram identificados dois acolhidos que eram foragidos da Justiça, que acabaram capturados. Um menor de idade encontrado em uma das instituições recebeu acompanhamento de uma equipe da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.
A Prefeitura informou que os responsáveis pelos cinco estabelecimentos foram orientados a entrar em contato com as famílias dos acolhidos para organizar o retorno deles às residências em segurança.

Suspeita de tortura em comunidade com 61 residentes
A situação mais grave foi identificada em uma comunidade terapêutica localizada na estrada do Koyama, onde estavam 61 pessoas. Segundo a Prefeitura, quando os fiscais chegaram, os residentes estavam trancados no imóvel principal, enquanto o responsável pelas chaves permanecia em outro prédio administrativo.
Dois responsáveis pelo estabelecimento foram conduzidos ao 1º Distrito Policial de Palmeiras. Eles são suspeitos de envolvimento em práticas de tortura contra os acolhidos.
No local, a fiscalização constatou ausência de licença sanitária, falta de documentação para funcionamento e inexistência de uma equipe formalizada de colaboradores. Também foram encontrados medicamentos sem prescrição médica e alimentos vencidos ou impróprios para consumo.
Entre os problemas estruturais identificados estavam fiação elétrica exposta, mofo, umidade e colchões colocados diretamente no chão. O estabelecimento foi totalmente interditado.

Irregularidades nos outros estabelecimentos
No Recanto São José, onde estavam acolhidas 37 mulheres, foram encontrados medicamentos sem receita médica, armazenados de forma inadequada, além de residentes sem avaliação médica prévia. A fiscalização também constatou que o local tinha apenas dois banheiros completos, quantidade inferior à exigida pela legislação para o número de pessoas atendidas.
Na Chácara São Judas Tadeu, que abrigava 23 homens, a interdição ocorreu por falta de documentação e ausência de avaliações médicas dos residentes. Também foram identificados medicamentos sem prescrição, inclusive substâncias de uso controlado. O imóvel apresentava mofo, umidade, fiação exposta e apenas um sanitário completo.
Já em uma comunidade terapêutica no Jardim São Marcos, onde havia 49 pessoas, foram constatadas superlotação, condições sanitárias precárias, problemas nos banheiros e instalações elétricas inadequadas. O local também armazenava e processava aproximadamente 180 quilos de alimentos fora dos padrões de qualidade e segurança.
A quinta interdição ocorreu em uma instituição para idosos no bairro Chácaras Casemiro. Além de problemas na estrutura e ausência da documentação exigida, foram apreendidos medicamentos e uma receita médica assinada e carimbada em branco. Cerca de 70 quilos de alimentos foram inutilizados.
Segundo a Prefeitura, as fiscalizações avaliaram as condições estruturais, a alimentação, a documentação e o armazenamento e uso de medicamentos. Nenhum dos cinco estabelecimentos apresentou condições para continuar funcionando.

Fique ainda mais perto das notícias de sua cidade seguindo o Notícias de Mogi no Instagram e no Google Notícias