Cinco afluentes do Rio Tietê localizados em Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba registraram redução na concentração de matéria orgânica nos últimos dois anos, segundo levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A maior queda foi verificada no Córrego Lavapés, em Mogi, com redução de 56%.
O levantamento faz parte do monitoramento de 30 rios e córregos que deságuam no Tietê na Região Metropolitana de São Paulo. A Cetesb compara os dados de 2024 com a média das medições realizadas nos dois últimos trimestres de 2025 e nos dois primeiros de 2026.
Em Mogi das Cruzes, a concentração de matéria orgânica no Córrego Lavapés passou de 29 mg/L, em 2024, para 13 mg/L no período mais recente, uma redução de 56% — a maior entre os 30 afluentes monitorados.
Também em Mogi, o Ribeirão Ipiranga apresentou queda de 15 mg/L para 14 mg/L, equivalente a 6%.
Em Itaquaquecetuba, os três afluentes avaliados apresentaram redução. No Ribeirão Jaguari, a concentração caiu de 50 mg/L para 34 mg/L, diferença de 31%. No Ribeirão Três Pontes, passou de 30 mg/L para 21 mg/L, queda de 29%, enquanto no Ribeirão Perová foi de 26 mg/L para 22 mg/L, redução de 14%.
Para avaliar a presença de matéria orgânica, a Cetesb utiliza o indicador Carbono Orgânico Total (COT), que auxilia no acompanhamento da poluição associada, principalmente, ao lançamento de esgoto. Quanto menor a concentração registrada, melhor o resultado do indicador.
Segundo o Governo de SP, os pontos de monitoramento foram definidos prioritariamente em áreas onde estavam previstas intervenções para ampliar a coleta de esgoto. A intenção é acompanhar os efeitos das obras de saneamento sobre os cursos d’água que posteriormente desembocam no Tietê.
Resultado dos 30 afluentes
Considerando os 30 afluentes monitorados e o peso da área de drenagem de cada um, a concentração média de matéria orgânica caiu de 26 mg/L, em 2024, para 23,7 mg/L em 2025 e 20,1 mg/L em 2026, redução acumulada de 23%.
Dos 30 rios e córregos avaliados, 13 apresentaram redução na concentração de matéria orgânica. De acordo com o levantamento, o resultado de 2026 ficou 36,2% abaixo da meta de 31,5 mg/L estabelecida pelo Programa IntegraTietê.
A Cetesb também aponta redução da quantidade de matéria orgânica transportada pelo próprio Rio Tietê na saída da Região Metropolitana de São Paulo. O volume passou de 218 toneladas por dia, em 2024, para 154 toneladas por dia em 2026, queda de aproximadamente 29%.
O número de afluentes monitorados pela companhia passou de 11, em 2023, para 30 a partir de 2024.
Programa IntegraTietê
O monitoramento faz parte do IntegraTietê, programa estadual lançado em 2023 e que reúne ações de saneamento, desassoreamento, fiscalização ambiental, monitoramento da qualidade da água e recuperação das margens. Segundo o Governo de São Paulo, os investimentos previstos e realizados nas diferentes frentes do programa ultrapassam R$ 22 bilhões.
De acordo com o Estado, desde o início do programa mais de 1,5 milhão de domicílios foram conectados à rede de esgoto, alcançando cerca de 4,5 milhões de pessoas.
No mesmo período, foram retirados mais de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos dos rios, segundo o governo estadual. A meta é chegar a 7,2 milhões de metros cúbicos até o fim de 2026.
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